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Quais vacinas devem ser recomendadas para viajantes?

21/02/2020
08:55

O manejo do viajante é baseado no princípio de risco e, por isso, deve levar em consideração uma série de fatores que dependem de cada paciente. A escolha de quais vacinas indicar deve levar em consideração quais doenças o paciente pode estar exposto na viagem, a gravidade da doença se adquirida, os riscos da vacinação em si e o risco comportamental envolvido (tipo de acomodação, comida, uso de repelentes, comportamento sexual, atividades ao ar livre). Dessa forma a abordagem requerida pela medicina de viagem deve ser individualizada.

Vacinas para viajantes

Devemos ter em mente também que as doenças preveníveis por vacinas (DPV) tem incidências diferenciadas. A influenza é a mais comum DPV no viajante apresentando risco estimado de 8,9 a cada 100 pessoas/mês. Já a hepatite A tem risco estimado de 3,5 casos por 100000 viajantes que procuram zonas de alta e intermediária endemicidade. O risco de febre amarela pode ser alto em áreas epidêmicas de transmissão: em 2018, pelo menos 10 viajantes adquiriram a doença no Brasil.


Além disso, a consulta de aconselhamento pré viagem é uma ótima oportunidade para atualização do cartão vacinal.


A seguir, vamos citar as vacinas mais comuns na rotina de avaliação do viajante (levando em consideração o Programa Nacional de Imunização, as indicações da Organização Mundial de Saúde e da Sociedade Brasileira de Imunizações).


Tríplice bacteriana acelular do tipo adulto (dTpa)/Dupla adulto (dT)

Atualizar a dTpa independente do intervalo prévio com dT;

Se o esquema de vacinação básico for completo, o reforço com dTpa deve ser feito a cada 10 anos;

Se o esquema de vacinação básico for incompleto, uma dose de dTpa deve ser feita a qualquer momento e, após, deve-se completar a vacinação básica com dT de forma a totalizar três doses de vacina contendo o componente tetânico;

Não vacinados ou aqueles com histórico desconhecido devem realizar uma dose de dTpa e duas doses de dT (esquema 0 – 2 – 4 – 8 meses);

A dTpa está recomendada mesmo para aqueles que tiveram coqueluche, visto que a proteção conferida pela infecção não é permanente;

A Sociedade Brasileira de Imunizações (SBim) indica o uso da vacina dTpa, em substituição à dT, objetivando, além da proteção individual, a redução da transmissão da Bordetella pertussis para suscetíveis com alto risco de complicações (como lactentes);

A dT está disponível no SUS e a dTpa em clínicas privadas de vacinação.


Polio

Adultos que tem o calendário básico de vacinação completo e pretendem viajar para área endêmica de poliomielite(Afeganistão, Paquistão e Nigéria) ou que tiveram casos da doença vacinal (informação disponível no Global Polio Eradication Initiative), devem receber uma dose da vacina inativada de pólio como booster;

Para indivíduos que precisam também realizar a dTpa, recomenda-se a vacina dTpa combinada à pólio inativada (dTpa – VIP);

Disponível no SUS.


Varicella

Para suscetíveis, devem ser realizadas duas doses com intervalo de um a dois meses;

Está disponível no Programa Nacional de Imunização (PNI) desde 2013 (uma dose aos 15 meses de idade – tetraviral);

Para adultos, a vacina encontra-se disponível em clínicas privadas;

O uso em imunodeprimidos deve ser avaliado pelo médico.

Zoster

Faltam estudos que comprovem o risco adicional de reativação do vírus varicela zoster em viajantes;

Uma dose;

Licenciada a partir dos 50 anos, ficando a critério médico sua recomendação a partir dessa idade;

Recomendada para indivíduos a partir de 60 anos de idade, mesmo para aqueles que já desenvolveram a doença. Nesses casos, aguardar o intervalo de um ano entre o quadro agudo e a aplicação da vacina;

Em casos de pacientes com história de herpes zoster oftálmico, ainda não existem dados suficientes para indicar ou contraindicar a vacina;

O uso em imunodeprimidos deve ser avaliado pelo médico;

Disponível apenas em clínicas privadas de vacinação.


Pneumocócica (VPC13/ VPP23)

Viajantes tem risco aumentado de infecções respiratórias de todos os tipos;

O esquema sequencial de VPC13 e VPP23 é recomendado rotineiramente para indivíduos com 60 anos ou mais;

A vacinação entre 50-59 anos com VPC13 fica a critério médico;

O esquema sequencial de VPC13 e VPP23 é recomendado para indivíduos portadores de algumas comorbidades, estando, assim, disponíveis no SUS através dos Centros de referência de Imunobiológicos Especiais (CRIE).


Papilomavírus humano (HPV)

Apesar de existir evidência de aumento da atividade sexual, geralmente não planejado, durante viagens, não há indicação específica da vacinação para viajantes;

Três doses (0-1 a 2-6 meses);

Duas vacinas estão disponíveis no Brasil: HPV4, licenciada para meninas e mulheres de 9 a 45 anos de idade e meninos e homens de 9 a 26 anos; HPV2, licenciada para meninas e mulheres a partir dos 9 anos de idade;

Indivíduos mesmo que previamente infectados podem ser beneficiados com a vacinação;

Homens e mulheres em idades fora da faixa de licenciamento também podem ser beneficiados com a vacinação, ficando a critério médico o uso off label nesses casos;

Disponível no PNI para crianças entre 9 a 14 anos (2 doses com seis meses de intervalo).


Tríplice viral (MMR)

Duas doses da vacina acima de 1 ano de idade, com intervalo mínimo de um mês entre elas;

Para adultos com esquema completo, não há evidências que justifiquem uma terceira dose como rotina, podendo ser considerada em situações de surto de caxumba e risco para a doença;

O uso em imunodeprimidos deve ser avaliado pelo médico;

Está disponível no SUS (duas doses até 29 anos, uma dose entre 30 e 49 anos).


Hepatite B

Transmissão da doença se dá por via sexual, transfusão de sangue, equipamento médico contaminado, colocação de piercing, acunpuntura. Difícil controle no contexto de viagem;

Indivíduos não imunizados anteriormente devem ser vacinados;

Três doses (0 – 1 – 6 meses);

O esquema acelerado (0 – 7 – 21 dias – 12 meses) e hiperacelerado (0 – 1 – 2 dias – 12 meses) pode ser utilizado;

Disponível no SUS.


Hepatite A

Indicada para pessoas não imunes que irão para áreas de risco moderado a alto (inclui basicamente todas as regiões, exceto Estado Unidos, Canadá, Japão, Austrália, Nova Zelândia, Escandinávia e países desenvolvidos da Europa);

Uma única dose da vacina feita em qualquer momento antes da viagem confere proteção adequada;

Duas doses (0 – 6 meses);

Indivíduos não imunizados anteriormente para as hepatites A e B devem ser vacinados;

A vacina combinada para as hepatites A e B é uma opção e pode substituir a vacinação isolada;

É recomendada para indivíduos portadores de algumas comorbidades, estando, assim, disponível no SUS através dos CRIE.


Influenza

Alterações genômicas podem ocorrer abruptamente com esse vírus e, dessa forma, pode haver diferença significativa entre as cepas predominantes nos hemisférios norte e sul. Portanto, anualmente a vacina é revisada separadamente para os dois hemisférios;

Durante os anos em que a composição das vacinas contra influenza sazonal for diferente entre os hemisférios, os viajantes devem obter a vacinação recomendada para o local em que ele está indo (preferencialmente duas semanas antes da viagem). Se não for possível, providenciar a vacina no local de destino o mais rápido possível;

Desde que disponível, a vacina influenza 4V é preferível à vacina 3V, por conferir maior cobertura das cepas circulantes;

No SUS encontra-se disponível a vacina 3V para maiores de 55 anos e grupos de risco em qualquer idade.


Meningocócica

A vacina quadrivalente (ACWY) é recomendada para quem vai para África Subsaariana (cinturão da meningite) durante a estação seca de dezembro à junho;

A vacina meningocócica B não é recomendada rotineiramente para viajantes a menos que exista alguma indicação específica como asplenia ou deficiência de complemento. Considerar a vacinação se a pessoa for em local próximo de surto;

Disponíveis em clínicas privadas.


Febre tifoide

Deve ser considerada para todos que vão para Índia e outras áreas endêmicas. O risco aumenta de acordo com a duração, tipo de acomodação, local de alimentação e tipo de alimento ingerido;

O viajante deve ser instruído sobre cuidado rigoroso com água e alimentação que será consumida;

A vacina oferece 53-72% de proteção e um grande inóculo oral pode sobrecarregar a resposta imune;

Uma dose. A vacina confere proteção por três anos, de modo que a revacinação pode ser recomendada após esse período;

Disponível no SUS através dos CRIE e em clínicas privadas de vacinação.


Febre amarela

No Brasil estão disponíveis duas vacinas (a produzida por Bio-Manguinhos – Fiocruz e a pela Sanofi Pasteur);

Ambas têm perfil de segurança e eficácia semelhantes (estimada em mais de 95% para maiores de 2 anos);

Em situação de aumento das chances de infecção pelo vírus selvagem, a vacinação pode ser recomendada para pessoas com algumas pessoas com condições clínicas que inicialmente seriam consideradas contraindicação. Cabe avaliação médica nesses casos;

Como o Brasil é um país endêmicos para a doença, alguns países só permitem a entrada de viajantes brasileiros mediante apresentação do Certificado Internacional de Vacinação e Profilaxia (CIVP) com registro de dose aplicada no mínimo 10 dias antes da viagem. A dose fracionada não é válida para esse fim.

Uma dose. Disponível no SUS.


Raiva

Deve ser realizada para quem vai para áreas endêmicas da América Latina, Ásia e África. Considerar principalmente em caso de viagens de aventura, como escaladas, exploração de cavernas, mochilões;

Não elimina a necessidade da vacinação pós exposição, mas simplifica o esquema e elimina a necessidade do uso de imunoglobulina (que pode ser difícil de encontrar dependendo do local da viagem);

Esquema composto por três doses (0 – 7 – 21 ou 28 dias).

Fonte: https://pebmed.com.br/quais-vacinas-devem-ser-recomendadas-para-viajantes/

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