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Instituições brasileiras que combatem a cegueira ganham destaque com prêmio na Europa

09/09/2019
09:44

Ipepo, Fundação Altino Ventura e Unicamp receberam o Prêmio Antônio Champalimaud de Visão 2019 – a maior distinção nesta área – e dividiram a recompensa de € 1 milhão.

O Instituto Paulista de Estudos e Pesquisas em Oftalmologia – Ipepo, a Fundação Altino Ventura e o Serviço de Oftalmologia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) já realizaram milhões de consultas oftalmológicas e cirurgias oculares em todo o território brasileiro. Agora, pelo seu trabalho de combate à cegueira de milhões de pessoas, estas três instituições brasileiras receberam o Prêmio Antônio Champalimaud de Visão 2019 – a maior distinção nesta área – e dividiram a recompensa de € 1 milhão.

A cerimônia realizada na última quarta-feira (4) contou com a presença do presidente de Portugal, Marcelo Rebello de Sousa, que elogiou o trabalho realizado pelo Instituto de Visão-Ipepo, pelo serviço de oftalmologia da Universidade de Campinas e pela Fundação Altino Ventura. Para ele, as três instituições “ajudaram comunidades das grandes cidades, além das mais remotas comunidades indígenas do Amazonas, trazendo ‘luz’ a milhões de pessoas sem acesso a cuidados médicos”.

A pesquisadora do Instituto da Visão-Ipepo, Dra. Solange Salomão, explica que se trata ”de uma ONG criada há 30 anos, sem fins lucrativos, que atendeu a quase 2 milhões de pessoas em vários estados brasileiros. “Nos últimos 10 anos nós tivemos uma atuação importante com campanhas de cirurgia de catarata e provisão de óculos para pessoas que vivem em área ribeirinha da Amazônia, na qual o acesso ao serviço de saúde é muito limitado”, afirmou.

A pesquisadora tem a esperança de que essa premiação ajude a obter mais apoios. “Talvez vamos conseguir outros financiamentos porque o prêmio tem uma importância tão grande e é tão visionário que acreditamos que irá haver um interesse maior nessa área”.

Além do ensino e investigação, a Unicamp tem uma rede de atendimento na região do interior paulista para 5 milhões de pacientes. O projeto piloto “Zona livre de catarata” expandiu por todo o Brasil e serve de modelo para muitos países em desenvolvimento.


Projeto expandiu o número de cirurgias

Para o coordenador do serviço Dr. Carlos Arieta, após a implantação do projeto o número de cirurgias de catarata no sistema público aumentou exponencialmente. “Até 1999 a média era de 60 a 80 mil cirurgias e de 1999 a 2004, quando o projeto entrou em campo, passou-se a fazer 450 mil cirurgias”.

A terceira instituição premiada é a Fundação Altino Ventura, fundada pela família em 1986, que é considerada a maior ONG filantrópica do Brasil em oftalmologia, com a realização de mais de 14 milhões de procedimentos no campo da visão. Uma das fundadoras, a professora Liana Ventura, exemplifica uma das suas atividades através do projeto da Unidade Cirúrgica Móvel, no Estado de Pernambuco.

“Através deste projeto itinerante que vai atendendo, operando e reabilitando a visão de pacientes operados de catarata, nós já atendemos mais de 33 mil pacientes utilizando a melhor capacitação e infraestrutura, com dignidade para o ser humano. Não importa de onde ele venha. ”


Reabilitação dos afetados pela Zika

O mérito desta instituição voltou a ser lembrado recentemente através da pesquisa da Dra. Camila Ventura (na terceira geração de oftalmologistas da família junto aos seus dois irmãos) que foi pioneira na descoberta das lesões oculares detectadas em crianças afetadas pelo vírus do Zika. Para ela “o prêmio, além de ser uma coroação do trabalho realizado, será muito útil na construção de um centro de terapia aquática de reabilitação que ainda faltava”.

O centro “Menina dos olhos”, além da reabilitação visual, também atende pacientes com deficiência motora, auditiva e intelectual, incluindo 325 crianças que são atendidas atualmente.

Fonte: https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2019/09/07/instituicoes-brasileiras-que-combatem-a-cegueira-ganham-destaque-com-premio-na-europa.ghtml

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